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23 de mai de 2014

DITADURA DA SUBJETIVIDADE – Comentários sobre o filme “Les Garcons et Guillaume, a Table!”


A comédia dramática em cartaz nos cines brasileiros “Les Garcons et Guillaume, a Table!” ou Os meninos e Guillaume à mesa! (tradução minha) ou como foi traduzido para o Brasil, "Eu, mamãe e os meninos" se trata de uma obra autobiográfica de Guillaume Gallienne. Galliene, diretor e roteirista desta premiadíssima comédia onde também interpreta magnificamente a si e ao personagem de sua mãe, propõe um enredo dramático surpreendendo ao público pela originalidade do desfecho não só da estória bem como de sua história.
A trama do filme segue o drama vivido. A expectativa social de modos padrões de ser e estar no mundo aprisiona e exclui os sujeitos ao primeiro sinal de inconformidade. Rótulos e receitas comportamentais cada vez mais são prescritos a partir de diagnósticos e avaliações que visam garantir o controle sobre a ordem social. Ditadura da subjetividade. É disso que sofreu Guillaume. Ao primeiro sinal de feminilidade se viu convocado ao lugar da menina que a mãe sofria por não ter tido. A dor deste testemunho parece que o convoca a tentar resgatar o amor da mãe desde este lugar. Como um grande ator encarna o papel, se faz objeto do “Outro primordial” (Lacan, J), movimenta-se pela vida quase como uma menina identificada com a mãe. Busca o reconhecimento e o amor do pai neste papel fracassando também neste lugar. O pai se decepcionava pelo menino que não enxergava. Modo de ser menino na radicalidade do estereótipo era o que definia naquela família o gênero masculino. E deste Guillaume não compartilha.
É nessa lógica que o filme possibilita importantes interrogações sobre a constituição do sujeito e sua sexualidade. E, ainda, sobre os efeitos da padronização do comportamento e generalização dos modos de ser. Ainda me resta uma interrogação desde o finalizar a projeção. Será que na sexualidade descoberta por Guillaume importa mesmo definir uma homo ou heterossexualidade? Ou o que fica de mais bonito e importante da dramatização de sua história é pensar a pluralidade de modos de ser e amar que é possível em cada formação do inconsciente e constituição do Eu de cada sujeito a partir da sua experiência subjetiva?

Um comentário:

  1. É bom encontrar blogs como o seu, onde podemos aprender alguma coisa, dou-lhe os parabéns desejo muitas felicidades, que Deus vos abençõe.
    PS. Se desejar visite o Peregrino e servo, e se ainda não segue pode fazê-lo agora. Decerto vou retribuir seguido o seu blog também.
    António Batalha.

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